ALL SUMMER LOST

June 19, 2013 at 2:06am
6 notes
Reblogged from wings-of-im4gination
Que grande vergonha, aos montes.
Estampa a tela dos espelhos
Em cores, não pensantes.
Ressaca das batalhas urbanas.
Recortes em gás e sangue,
Pelo comando de mentes insanas.
Recebia tudo mastigado
Atingido nunca estava
Inerte, sentado.
Até que da rua arranca ao centro.
Do comércio necessitava,
Compraria aromas e coentro.
Então percebeu que o Brasil estava tenso:
Somando-se mais vinte centavos,
Inflacionaram até o incenso. 
E em tempos de Copa, absurdo houve mais:
Para televisionarem tantos gols,
O 1,99 virou loja dos três reais.
MV 

Que grande vergonha, aos montes.

Estampa a tela dos espelhos

Em cores, não pensantes.



Ressaca das batalhas urbanas.

Recortes em gás e sangue,

Pelo comando de mentes insanas.



Recebia tudo mastigado

Atingido nunca estava

Inerte, sentado.



Até que da rua arranca ao centro.

Do comércio necessitava,

Compraria aromas e coentro.


Então percebeu que o Brasil estava tenso:

Somando-se mais vinte centavos,

Inflacionaram até o incenso. 



E em tempos de Copa, absurdo houve mais:

Para televisionarem tantos gols,

O 1,99 virou loja dos três reais.


MV 

June 14, 2013 at 7:32pm
3 notes
“A lei tarda, tarda e tarda para falhar.”
Um Estado marcado por escândalos de corrupção. Um Estado que se diz laico, mas de laico nada tem. Um Estado que não é Estado, é interesse bancário. É paraíso de impunidade para seus “governantes”. Um Estado que, na verdade, nem merece ser escrito com letra maiúscula. Chamemos de estado, assim. Porque esse é o motivo do desespero repressivo que presenciamos nesses últimos dias. Estar reduzido às mesmas letras minúsculas em que o estado coloca seu povo.
 Agora com o estado reduzido ao mesmo tamanho com que olha “seus governados” vamos analisar a recente situação do “paraíso” brasileiro. O POVO (prefiro assim), mais uma vez, gritou. E provou que ainda há voz nas ruas do Brasil. Que não estamos calados. Que nem toda a população brasileira acredita no país da Copa, do carnaval, da festa. Meu país é sim, o mais lindo do mundo, com o POVO mais alegre e uma cultura maravilhosa. Mas a perspectiva geral da situação pede alguns títulos mais apropriados. País do conformismo. Do bundamolismo. Da alienação em massa. Da polícia que serve como máquina repressora e não defensora. Da mídia que fala pelo megafone do governo. Do povo que escuta a mídia e caminha lado a lado com a opressão. Mas falemos do povo depois. Afinal, é sempre bom começar pelos bastidores.
 O Brasil é um país carente em diversos aspectos. Carente de saúde, acesso à alimentação e moradia para uma maioria, transformada em minoria desimportante pela tela da TV. Carente de educação, pois o sistema de educação pública, aqui nas terras verde-amarelas, é horroroso. Absolutamente horroroso. Falta estrutura. Falta mão-de-obra. Falta valorização da mão-de-obra corrente. E diante de uma situação de greve geral no setor, o que o governo faz? Demoniza os grevistas e mascara a situação com belos discursos cotistas, estatísticas contestáveis e apoio de uma mídia cada vez mais parcial aos interesses do poder público.
 Carente de soluções eficientes para combater a violência afinal,sem educação de qualidade, não há redução alguma na raiz do problema da violência urbana. O “combate” do nosso governo vem através do incentivo à repressão policial e de medidas proibicionistas retrógradas (um salve pro PL7663/2010*, que está cada vez mais próximo da aprovação). É fato já percebido por parte da população e confirmado até pela própria polícia (vou deixar essa surpresinha para o final), visando soluções adotadas em países com menores índices de violência (e maiores índices de educação), que políticas menos repressivas, menos infantis e desvinculadas de atrasos maiores (conservadorismo e pragmatismo religioso de uma, cada vez maior, bancada evangélica) são possíveis e de eficiência comprovada. 
 Claro que eu diria que de uns tempos pra cá a atenção para a cultura demostrou algum avanço. Algumas políticas interessantes aqui, outras ali. Bolsa isso, Bolsa aquilo, Bolsa pra todos os problemas. Mas as carências gritam mais alto, apesar de o povo não escutar.
 Uma deficiência bem interessante é vista no sistema trabalhista. A população envelhece. O governo vê um futuro óbvio de redução drástica na quantidade de mão de obra. O caminho racional? Investir no sistema educacional uma parcela maior do PIB (como os cobrados 10% para o PNE**), em uma valorização da árdua (e, na perspectiva atual, injustamente remunerada) profissão professor (e falo dos professores de todas as esferas), melhorias do ambiente escolar e aumento do acesso da população à esse ambiente. Agindo da maneira mais rápida, no jeitinho “tapa-buraco” - que já é tão conhecido do brasileiro -, o governo aumenta o acesso à educação. Bom? Ótimo, se os aumento do acesso fosse acompanhado de um aumento nos outros investimentos necessários. O que não acontece. Resultado? A mão de obra especializada continuará escassa, principalmente para as futuras demandas esportivas do país. Com a demanda por mão de obra em alta, e um quadro irreversível (com as políticas atuais) de redução na força laboral, o governo dificulta e regula, cada vez mais, o acesso à aposentadoria.
 Interessante como os problemas se entrelaçam, não é? Educação, violência urbana e sistema trabalhista. Conectados por suas deficiências e compartilhando de uma semelhança ainda maior: ideias retrógradas aplicadas pelo governo vigente.
 E como pode, um país tão carente, aceitar a brilhante (nem tanto) missão de sediar uma Copa do Mundo, seguida de uma Olimpíada? Claro. Todo o discurso de incentivo ao esporte, geração de milhares de empregos, aquecimento da economia é super válido, e trabalha perfeitamente na teoria. Mas o sonho mudou de figura rapidamente. Uma inflação que cresceu silenciosamente, causada pela injeção desregulada de capital no mercado visando subsidiar as obras da Copa. Um governo que prioriza a competição esportiva, que já se provou não tão maravilhosa assim, em detrimento das necessidades gritantes de seu POVO. Um aumento desregulado no preço do transporte público (observado em tempos recentes e enraizado na crescente inflação).
 E aí chegamos à “baderna que toma forma nas ruas e no facebook”, e que atrapalha tantos ‘cidadãos’ brasileiros de assistirem  sua novela em paz. Atrapalha outros tantos de verem notícias “relevantes” nas redes sociais (afinal, quando o campeonato de futebol é top-trend do twitter, ninguém reclama). E qual o motivo disso tudo?
 As manifestações recentes vão muito além de 20 centavos. Vão muito além da problemática do transporte público. São protestos contra a problemática-Brasil. Protestos contra o circo armado pelo interesse bancário e governamental, e protagonizado pelos palhaços inertes que devoram a mídia elitista. E acima disso: protestos contra o conformismo. Protestos de todos aqueles que veem muito mais que sertanejo no ambiente universitário. Protestos daqueles que consomem a cultura e a informação que não nos são empurradas pela goela. Protestos de uma parcela da população brasileira que tem preocupações mais importantes que a ostentação de uma falsa segurança monetária. Protestos de quem pensa.
 E te indago. Porque o governo pode pensar pelo POVO e uma parcela do POVO não pode pensar por ela mesma? Porque essas pessoas que vão às ruas são chamadas de vândalos? De loucos? Porque ainda ridicularizam aqueles que lutam? Porque devemos apoiar um evento esportivo que não poderemos assistir de perto, devido ao preço exorbitante dos ingressos (alguns já à venda pela bagatela de 2500 reais. Os mais baratos margeiam as 250 extintas notas verdes)? É realmente mais prazeroso trabalhar por um atraso para o país, por uma falsa imagem de que está tudo bem e depois assistir tudo isso na tela de uma televisão (que será eternamente lembrada pelo peso de suas prestações)?
 É realmente melhor assistir a uma covarde onda de repressão ao pensamente livre, e aplaudir de pé o controle da baderna e a manutenção da suposta Ordem estampada em nossa bandeira? Ordem nenhuma, um lema melhor seria: Desordem e Regresso! Não só por parte do governo, mas por uma parcela cada vez menos engajada da população, que não satisfeita com a própria burrice e comodismo, faz questão de se render à manipulação estatal e fazer chacota contra os que se levantam do sofá para lutar por todos.
 Repito, TODOS. Quem vai às ruas protestar não protesta de maneira egoísta. Protesta inclusive por aquele que o ridiculariza e não apoia o protesto.
 E aí jaz a beleza de ver a Avenida Paulista tomada por pessoas. A beleza de ver que ainda há pensamento próprio. De ver que a coragem que hora tivemos para enfrentar Ditadura e derrubar Collor ainda está presente em alguns: mesmo diante do fato de o governo do estado de são paulo (todo minúsculo também) e prefeitura vestirem a casaca ditatorial e anunciarem que os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus podem ser tratados como ato de terrorismo, passíveis do uso de armas de fogo para controle da manifestação, o movimento não enfraquece.
 O POVO ainda pensa. O Brasil ainda sonha. E não há cabeça baixa. E isso é algo realmente muito belo.
Finalizo essa reflexão com as palavras de um policial civil, retiradas do documentário “Vozes da Guerra”. A fala do policial vai além do combate ao tráfico de drogas. Anda sobre esse território tão frágil que vemos ser exposto nos últimos dias: a ineficiência das ações imediatistas do governo brasileiro.
 “Mas pra esse menino de doze, treze, catorze anos, pegar numa arma chinesa, o que que falhou, cara? Falhou o esporte, falhou a cultura, falhou o lazer, falhou habitação, falhou assistência social. Falhou a saúde. Falhou a educação. Falhou a família. Falhou religião. Aí mandam a polícia resolver um problema desses, véi. Nós somos incapazes de resolver esse tipo de problema. Eu me considero um INCOMPETENTE para resolver esse tipo de problema.”
 
Por: Marcus Vinícius Lessa de Lima


*novo projeto de lei que visa modificar a política nacional sobre drogas 
**plano nacional da educação

“A lei tarda, tarda e tarda para falhar.”

Um Estado marcado por escândalos de corrupção. Um Estado que se diz laico, mas de laico nada tem. Um Estado que não é Estado, é interesse bancário. É paraíso de impunidade para seus “governantes”. Um Estado que, na verdade, nem merece ser escrito com letra maiúscula. Chamemos de estado, assim. Porque esse é o motivo do desespero repressivo que presenciamos nesses últimos dias. Estar reduzido às mesmas letras minúsculas em que o estado coloca seu povo.

 Agora com o estado reduzido ao mesmo tamanho com que olha “seus governados” vamos analisar a recente situação do “paraíso” brasileiro. O POVO (prefiro assim), mais uma vez, gritou. E provou que ainda há voz nas ruas do Brasil. Que não estamos calados. Que nem toda a população brasileira acredita no país da Copa, do carnaval, da festa. Meu país é sim, o mais lindo do mundo, com o POVO mais alegre e uma cultura maravilhosa. Mas a perspectiva geral da situação pede alguns títulos mais apropriados. País do conformismo. Do bundamolismo. Da alienação em massa. Da polícia que serve como máquina repressora e não defensora. Da mídia que fala pelo megafone do governo. Do povo que escuta a mídia e caminha lado a lado com a opressão. Mas falemos do povo depois. Afinal, é sempre bom começar pelos bastidores.

 O Brasil é um país carente em diversos aspectos. Carente de saúde, acesso à alimentação e moradia para uma maioria, transformada em minoria desimportante pela tela da TV. Carente de educação, pois o sistema de educação pública, aqui nas terras verde-amarelas, é horroroso. Absolutamente horroroso. Falta estrutura. Falta mão-de-obra. Falta valorização da mão-de-obra corrente. E diante de uma situação de greve geral no setor, o que o governo faz? Demoniza os grevistas e mascara a situação com belos discursos cotistas, estatísticas contestáveis e apoio de uma mídia cada vez mais parcial aos interesses do poder público.

 Carente de soluções eficientes para combater a violência afinal,sem educação de qualidade, não há redução alguma na raiz do problema da violência urbana. O “combate” do nosso governo vem através do incentivo à repressão policial e de medidas proibicionistas retrógradas (um salve pro PL7663/2010*, que está cada vez mais próximo da aprovação). É fato já percebido por parte da população e confirmado até pela própria polícia (vou deixar essa surpresinha para o final), visando soluções adotadas em países com menores índices de violência (e maiores índices de educação), que políticas menos repressivas, menos infantis e desvinculadas de atrasos maiores (conservadorismo e pragmatismo religioso de uma, cada vez maior, bancada evangélica) são possíveis e de eficiência comprovada. 

 Claro que eu diria que de uns tempos pra cá a atenção para a cultura demostrou algum avanço. Algumas políticas interessantes aqui, outras ali. Bolsa isso, Bolsa aquilo, Bolsa pra todos os problemas. Mas as carências gritam mais alto, apesar de o povo não escutar.

 Uma deficiência bem interessante é vista no sistema trabalhista. A população envelhece. O governo vê um futuro óbvio de redução drástica na quantidade de mão de obra. O caminho racional? Investir no sistema educacional uma parcela maior do PIB (como os cobrados 10% para o PNE**), em uma valorização da árdua (e, na perspectiva atual, injustamente remunerada) profissão professor (e falo dos professores de todas as esferas), melhorias do ambiente escolar e aumento do acesso da população à esse ambiente. Agindo da maneira mais rápida, no jeitinho “tapa-buraco” - que já é tão conhecido do brasileiro -, o governo aumenta o acesso à educação. Bom? Ótimo, se os aumento do acesso fosse acompanhado de um aumento nos outros investimentos necessários. O que não acontece. Resultado? A mão de obra especializada continuará escassa, principalmente para as futuras demandas esportivas do país. Com a demanda por mão de obra em alta, e um quadro irreversível (com as políticas atuais) de redução na força laboral, o governo dificulta e regula, cada vez mais, o acesso à aposentadoria.

 Interessante como os problemas se entrelaçam, não é? Educação, violência urbana e sistema trabalhista. Conectados por suas deficiências e compartilhando de uma semelhança ainda maior: ideias retrógradas aplicadas pelo governo vigente.

 E como pode, um país tão carente, aceitar a brilhante (nem tanto) missão de sediar uma Copa do Mundo, seguida de uma Olimpíada? Claro. Todo o discurso de incentivo ao esporte, geração de milhares de empregos, aquecimento da economia é super válido, e trabalha perfeitamente na teoria. Mas o sonho mudou de figura rapidamente. Uma inflação que cresceu silenciosamente, causada pela injeção desregulada de capital no mercado visando subsidiar as obras da Copa. Um governo que prioriza a competição esportiva, que já se provou não tão maravilhosa assim, em detrimento das necessidades gritantes de seu POVO. Um aumento desregulado no preço do transporte público (observado em tempos recentes e enraizado na crescente inflação).

 E aí chegamos à “baderna que toma forma nas ruas e no facebook”, e que atrapalha tantos ‘cidadãos’ brasileiros de assistirem  sua novela em paz. Atrapalha outros tantos de verem notícias “relevantes” nas redes sociais (afinal, quando o campeonato de futebol é top-trend do twitter, ninguém reclama). E qual o motivo disso tudo?

 As manifestações recentes vão muito além de 20 centavos. Vão muito além da problemática do transporte público. São protestos contra a problemática-Brasil. Protestos contra o circo armado pelo interesse bancário e governamental, e protagonizado pelos palhaços inertes que devoram a mídia elitista. E acima disso: protestos contra o conformismo. Protestos de todos aqueles que veem muito mais que sertanejo no ambiente universitário. Protestos daqueles que consomem a cultura e a informação que não nos são empurradas pela goela. Protestos de uma parcela da população brasileira que tem preocupações mais importantes que a ostentação de uma falsa segurança monetária. Protestos de quem pensa.

 E te indago. Porque o governo pode pensar pelo POVO e uma parcela do POVO não pode pensar por ela mesma? Porque essas pessoas que vão às ruas são chamadas de vândalos? De loucos? Porque ainda ridicularizam aqueles que lutam? Porque devemos apoiar um evento esportivo que não poderemos assistir de perto, devido ao preço exorbitante dos ingressos (alguns já à venda pela bagatela de 2500 reais. Os mais baratos margeiam as 250 extintas notas verdes)? É realmente mais prazeroso trabalhar por um atraso para o país, por uma falsa imagem de que está tudo bem e depois assistir tudo isso na tela de uma televisão (que será eternamente lembrada pelo peso de suas prestações)?

 É realmente melhor assistir a uma covarde onda de repressão ao pensamente livre, e aplaudir de pé o controle da baderna e a manutenção da suposta Ordem estampada em nossa bandeira? Ordem nenhuma, um lema melhor seria: Desordem e Regresso! Não só por parte do governo, mas por uma parcela cada vez menos engajada da população, que não satisfeita com a própria burrice e comodismo, faz questão de se render à manipulação estatal e fazer chacota contra os que se levantam do sofá para lutar por todos.

 Repito, TODOS. Quem vai às ruas protestar não protesta de maneira egoísta. Protesta inclusive por aquele que o ridiculariza e não apoia o protesto.

 E aí jaz a beleza de ver a Avenida Paulista tomada por pessoas. A beleza de ver que ainda há pensamento próprio. De ver que a coragem que hora tivemos para enfrentar Ditadura e derrubar Collor ainda está presente em alguns: mesmo diante do fato de o governo do estado de são paulo (todo minúsculo também) e prefeitura vestirem a casaca ditatorial e anunciarem que os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus podem ser tratados como ato de terrorismo, passíveis do uso de armas de fogo para controle da manifestação, o movimento não enfraquece.

 O POVO ainda pensa. O Brasil ainda sonha. E não há cabeça baixa. E isso é algo realmente muito belo.

Finalizo essa reflexão com as palavras de um policial civil, retiradas do documentário “Vozes da Guerra”. A fala do policial vai além do combate ao tráfico de drogas. Anda sobre esse território tão frágil que vemos ser exposto nos últimos dias: a ineficiência das ações imediatistas do governo brasileiro.

 “Mas pra esse menino de doze, treze, catorze anos, pegar numa arma chinesa, o que que falhou, cara? Falhou o esporte, falhou a cultura, falhou o lazer, falhou habitação, falhou assistência social. Falhou a saúde. Falhou a educação. Falhou a família. Falhou religião. Aí mandam a polícia resolver um problema desses, véi. Nós somos incapazes de resolver esse tipo de problema. Eu me considero um INCOMPETENTE para resolver esse tipo de problema.”

 

Por: Marcus Vinícius Lessa de Lima

*novo projeto de lei que visa modificar a política nacional sobre drogas 

**plano nacional da educação

June 13, 2013 at 1:12am
8 notes
Reblogged from yann-bayingana
COTIDIANO
Se parássemos de julgar o pecado dos anjos
E olhássemos para o pecado de Deus,
Que monstro seria?
Mata dentro da própria toca.
Cão cuja raiva fomenta,
Mordendo a mão que o alimentaria.
Pisoteia as multidões
De outros humanos descartáveis,
Olhando pra quem mataria.
Cede às piores vontades,
Para quais permissão,
No livro, jamais existiria.
E pra todos que jogam
Por baixo do tapete.
O monstro jamais se iria.
MV

COTIDIANO



Se parássemos de julgar o pecado dos anjos

E olhássemos para o pecado de Deus,

Que monstro seria?



Mata dentro da própria toca.

Cão cuja raiva fomenta,

Mordendo a mão que o alimentaria.



Pisoteia as multidões

De outros humanos descartáveis,

Olhando pra quem mataria.



Cede às piores vontades,

Para quais permissão,

No livro, jamais existiria.



E pra todos que jogam

Por baixo do tapete.

O monstro jamais se iria.

MV

June 12, 2013 at 1:20am
35 notes
Reblogged from melonswag
DIA NO PARQUE
Ao me perguntarem se do escuro gosto;
Responderia que gosto do escuro,
Mas pela meia luz tenho um gosto mais puro.
Tenho um gosto mais torpe
Por cometer crimes assim,
Com um tanto de cor para mim.
Gosto do tato, claro.
Um tanto quente, excitante,
Desse vermelho rubro, inconstante.
Aprecio muito esse cheiro
De dor, suor,
Sangue, e um toque de paieiro.
Fumaça que encaro eu mesmo.
Me deparo com um trago.
Faço todo esse estrago a esmo.
E o grito ouço todo.
Me percorre calado e frio.
Me acalma em cada arrepio.
Mas vadio, mantenho esse prazer
De ver alguns poucos detalhes
Sem muita luz para compreender.
Calado e frio permaneço
Três dias se passam
E então já me esqueço.
MV

DIA NO PARQUE



Ao me perguntarem se do escuro gosto;

Responderia que gosto do escuro,

Mas pela meia luz tenho um gosto mais puro.



Tenho um gosto mais torpe

Por cometer crimes assim,

Com um tanto de cor para mim.



Gosto do tato, claro.

Um tanto quente, excitante,

Desse vermelho rubro, inconstante.



Aprecio muito esse cheiro

De dor, suor,

Sangue, e um toque de paieiro.



Fumaça que encaro eu mesmo.

Me deparo com um trago.

Faço todo esse estrago a esmo.



E o grito ouço todo.

Me percorre calado e frio.

Me acalma em cada arrepio.



Mas vadio, mantenho esse prazer

De ver alguns poucos detalhes

Sem muita luz para compreender.



Calado e frio permaneço

Três dias se passam

E então já me esqueço.

MV

June 7, 2013 at 3:21pm
803 notes
Reblogged from pixelscenery

(via myprivaterefuge)

12:31am
148 notes
Reblogged from projectorss
A ti dei um túmulo.
“Coube bem”, pensei.
Tanta terra em acúmulo,
Que, em enterrar, viciei.

MV

A ti dei um túmulo.

“Coube bem”, pensei.

Tanta terra em acúmulo,

Que, em enterrar, viciei.

MV

June 4, 2013 at 7:55pm
8 notes
Reblogged from bazookafairy
POP UP
Tão trendy ser maluco,
Ser beleza, ser doidão.
Pop art é usar químicocs,
Sem saber o porquê não.
Impressionante é ser realista.
A moda agora é outro relógio:
Cubista, onírico, minimalista.
É modern age ser clubber.
Lisergia e o rosto de Jó,
Banheiro de posto.
Escravos do pó.
Outra dose quase não-letal?
Mais scratch, por favor.
Não aguento tanto grave,
Por mais som alternativo,
Quero solo de agogô.
Bixo gente,
Bixo rato,
Pop quente,
Bixo mato.
E debaixo do pano
É que a cabeça rola,
A droga bola,
O títere dança.
E não se engane, irmão.
Muita carreira acabou,
Pra te dar outro risco
De esperança.
MV

POP UP



Tão trendy ser maluco,

Ser beleza, ser doidão.

Pop art é usar químicocs,

Sem saber o porquê não.



Impressionante é ser realista.

A moda agora é outro relógio:

Cubista, onírico, minimalista.

É modern age ser clubber.



Lisergia e o rosto de Jó,

Banheiro de posto.

Escravos do pó.

Outra dose quase não-letal?



Mais scratch, por favor.

Não aguento tanto grave,

Por mais som alternativo,

Quero solo de agogô.



Bixo gente,

Bixo rato,

Pop quente,

Bixo mato.



E debaixo do pano

É que a cabeça rola,

A droga bola,

O títere dança.



E não se engane, irmão.

Muita carreira acabou,

Pra te dar outro risco

De esperança.

MV

May 31, 2013 at 8:14pm
27 notes
Reblogged from ortusortir
O segundo dia começa cedo, com direito a uma sessão de violão na praça, que rendeu alguns ouvintes descompromissados. Depois do almoço tive a oportunidade de conhecer o shopping da cidade, com certo receio, pois os mesmos me parecem cada vez mais sem graça. Esse até apresentava uma proposta que me agradou muito: áreas abertas, com riachos e até um viveiro de pássaros preenchiam o espaço central do Shopping. Realmente uma cidade muito bonita.
 Após a visita ao shopping, o Parque de Exposições volta a dar o tom do final de semana. Novamente sem o celular, que parecia cada vez mais desimportante, e preparado para realizar um sonho: assistir a um show do rapper Criolo. 
 Conheci a música do Criolo na segunda metade de 2012, e logo me tornei ouvinte assíduo do álbum “Nó Na Orelha”. No início de 2013 resolvi conhecer o primeiro trabalho do rapper, “Ainda á Tempo”, que traz um rap mais cru, diferente do segundo disco, que conta com toda uma gama de variedades sonora (samba, música cubana, bossa nova, e mais meio mundo de ritmos). Estive receoso de não gostar do estilo mais rimado e direto do primeiro disco, mas só me tornei ainda mais fascinado pela música do rapper. 
 E ali estava, deitado na grama, debaixo de um belíssimo céu, aguardando o show. Já me aproximei do palco para o show do músico Curumin, que me agradou muito. Execução impecável do trio e toda a variedade musical proposta veio a me impressionar muito. E depois de um agradável show, o público se amontoou ainda mais aos gritos de “Êe, ôo, demorô, Criolô”. 
 Uma das primeiras características que notei na performance do Criolo foi a sua imensa autoridade em cima do palco. O rapper dominava o espaço completamente. Uma performance totalmente épica, acompanhado por uma grande (e muito eficiente) banda de apoio e pelo Dj Dan Dan acompanhando os vocais, Criolo conseguia a façanha de ser aplaudido inúmeras vezes durante um única música. Cada momento, cada virada, cada mudança de tonalidade, encantava de maneira única no show.
 O CD “Nó Na Orelha” foi tocado por inteiro, com adição de “Demorô” (do primeiro disco) e “Vasilhame” (que fechou o bis, depois de ser muito pedida pela platéia). Pra adicionar ainda mais variedade, um forró muito bem executado e cantado pelo rapper (que também me impressionou pela impecável performance vocal) e uma emocionada versão declamada da música Cálice, de Chico Buarque. Afasta de mim a biqueira, Pai. Afasta de mim as biate, Pai. Afasta de mim a cocaine, Pai. Pois na quebrada escorre sangue, Pai.”
 Muito além da música, um fato que me chamou muita atenção foi a figura de Kleber Cavalcante Gomes. Exato, Criolo e Kleber são a mesma pessoa. E ali, em cima do palco, o rapper mostrava quem ele realmente era, despido de qualquer máscara artística. Quando se dirigia à platéia, não gritava. Não animava. Não pedia palmas. Apenas falava de maneira serena, e com os olhos marejados de emoção. E era respeitosamente ouvido por todo o público. Falou como a alguns meses atrás organizava a Rinha de MC’s, pedia para tocar em eventos e agora, tão de repente, contava com a agenda lotada. E falou como nunca esqueceu sua origem. Nunca baixou a guarda, pois como já dito em sua música “Lion Man”: “Não baixe a guarda, a luta não acabou.” Falou sobre sonho, sobre batalha sobre fé. Agradeceu um a um, os membros da produção, técnicos de som e inclusive chamou seu roadies ao palco e mostrou ao público que há muito mais gente envolvida na arte de fazer música, do que muitos pensam. E assim me encantei ainda mais, pelo talento e humildade desse músico incrível.
 “Eu quero acreditar que o amor que tem no coração da gente vai ser menor que a nossa vaidade”, diz a letra de “Ainda Há Tempo”, ainda ausente do repertório do show. E depois de muito pedida pela platéia, Criolo e Dj Dan Dan voltam ao palco, após o término do show (eu já corria pra barraquinha de vendas em busca de CDs), e recitam “Cê quer saber? Então, vou te falar. Por que as pessoas sadias adoecem? Bem alimentadas, ou não, por que perecem? Tudo está guardado na mente.” E mais uma vez emocionam a plateia. Voltei correndo e assisti os últimos momentos de “Ainda é Tempo”. 
 É impressionante a sensação pós-show que todos à volta aparentavam sentir. Aquela multidão sabia que havia presenciado algo épico. Um músico sem vergonha alguma de se mostrar humano. Um músico que subiu ao palco nu de qualquer vaidade. Um músico que quis passar sua mensagem, e passou. Ainda refleti alguns momentos sobre o efeito das palavras ditas por Criolo, na minha mente e na mente dos que me cercavam. E segui meu caminho, de volta à estrada. 
 Impressionante como dois dias, despreocupado de qualquer contato com a minha própria vida, podem surtir um efeito magnífico. Muita reflexão, muita música e muita paz. E que venha o João Rock!!MV

O segundo dia começa cedo, com direito a uma sessão de violão na praça, que rendeu alguns ouvintes descompromissados. Depois do almoço tive a oportunidade de conhecer o shopping da cidade, com certo receio, pois os mesmos me parecem cada vez mais sem graça. Esse até apresentava uma proposta que me agradou muito: áreas abertas, com riachos e até um viveiro de pássaros preenchiam o espaço central do Shopping. Realmente uma cidade muito bonita.

 Após a visita ao shopping, o Parque de Exposições volta a dar o tom do final de semana. Novamente sem o celular, que parecia cada vez mais desimportante, e preparado para realizar um sonho: assistir a um show do rapper Criolo. 

 Conheci a música do Criolo na segunda metade de 2012, e logo me tornei ouvinte assíduo do álbum “Nó Na Orelha”. No início de 2013 resolvi conhecer o primeiro trabalho do rapper, “Ainda á Tempo”, que traz um rap mais cru, diferente do segundo disco, que conta com toda uma gama de variedades sonora (samba, música cubana, bossa nova, e mais meio mundo de ritmos). Estive receoso de não gostar do estilo mais rimado e direto do primeiro disco, mas só me tornei ainda mais fascinado pela música do rapper. 

 E ali estava, deitado na grama, debaixo de um belíssimo céu, aguardando o show. Já me aproximei do palco para o show do músico Curumin, que me agradou muito. Execução impecável do trio e toda a variedade musical proposta veio a me impressionar muito. E depois de um agradável show, o público se amontoou ainda mais aos gritos de “Êe, ôo, demorô, Criolô”. 

 Uma das primeiras características que notei na performance do Criolo foi a sua imensa autoridade em cima do palco. O rapper dominava o espaço completamente. Uma performance totalmente épica, acompanhado por uma grande (e muito eficiente) banda de apoio e pelo Dj Dan Dan acompanhando os vocais, Criolo conseguia a façanha de ser aplaudido inúmeras vezes durante um única música. Cada momento, cada virada, cada mudança de tonalidade, encantava de maneira única no show.

 O CD “Nó Na Orelha” foi tocado por inteiro, com adição de “Demorô” (do primeiro disco) e “Vasilhame” (que fechou o bis, depois de ser muito pedida pela platéia). Pra adicionar ainda mais variedade, um forró muito bem executado e cantado pelo rapper (que também me impressionou pela impecável performance vocal) e uma emocionada versão declamada da música Cálice, de Chico Buarque. Afasta de mim a biqueira, Pai. Afasta de mim as biate, Pai. Afasta de mim a cocaine, Pai. Pois na quebrada escorre sangue, Pai.”

 Muito além da música, um fato que me chamou muita atenção foi a figura de Kleber Cavalcante Gomes. Exato, Criolo e Kleber são a mesma pessoa. E ali, em cima do palco, o rapper mostrava quem ele realmente era, despido de qualquer máscara artística. Quando se dirigia à platéia, não gritava. Não animava. Não pedia palmas. Apenas falava de maneira serena, e com os olhos marejados de emoção. E era respeitosamente ouvido por todo o público. Falou como a alguns meses atrás organizava a Rinha de MC’s, pedia para tocar em eventos e agora, tão de repente, contava com a agenda lotada. E falou como nunca esqueceu sua origem. Nunca baixou a guarda, pois como já dito em sua música “Lion Man”: “Não baixe a guarda, a luta não acabou.” Falou sobre sonho, sobre batalha sobre fé. Agradeceu um a um, os membros da produção, técnicos de som e inclusive chamou seu roadies ao palco e mostrou ao público que há muito mais gente envolvida na arte de fazer música, do que muitos pensam. E assim me encantei ainda mais, pelo talento e humildade desse músico incrível.

 “Eu quero acreditar que o amor que tem no coração da gente vai ser menor que a nossa vaidade”, diz a letra de “Ainda Há Tempo”, ainda ausente do repertório do show. E depois de muito pedida pela platéia, Criolo e Dj Dan Dan voltam ao palco, após o término do show (eu já corria pra barraquinha de vendas em busca de CDs), e recitam “Cê quer saber? Então, vou te falar. Por que as pessoas sadias adoecem? Bem alimentadas, ou não, por que perecem? Tudo está guardado na mente.” E mais uma vez emocionam a plateia. Voltei correndo e assisti os últimos momentos de “Ainda é Tempo”. 

 É impressionante a sensação pós-show que todos à volta aparentavam sentir. Aquela multidão sabia que havia presenciado algo épico. Um músico sem vergonha alguma de se mostrar humano. Um músico que subiu ao palco nu de qualquer vaidade. Um músico que quis passar sua mensagem, e passou. Ainda refleti alguns momentos sobre o efeito das palavras ditas por Criolo, na minha mente e na mente dos que me cercavam. E segui meu caminho, de volta à estrada. 

 Impressionante como dois dias, despreocupado de qualquer contato com a minha própria vida, podem surtir um efeito magnífico. Muita reflexão, muita música e muita paz. E que venha o João Rock!!
MV

May 30, 2013 at 3:59pm
12 notes
Reblogged from outpouringsoffagirl
Matou a mãe.
Matou o pai.
Meteu a mão,
A boca na parede.
Caiu no chão,
Caiu da mão,
Vai ser jornal,
Vai ser manchete.
Crime sujo,
Crime sujeira,
Revolta de cão
Em alma passageira.
Escuro havia de ser.
Em véu havia de ser.
Em vaia havia de ser.
Pra todo mundo ver.
Calafrio de novo,
Longe de todo lobo,
Faminto, sedento.
Sem luz havia de ser.
Mais agonia.
Vergonha vil.
Outra alma fria
Vinha visitar.
Feito assim,
Púrpura face.
Em bela gravata descansou. MV

Matou a mãe.

Matou o pai.

Meteu a mão,

A boca na parede.



Caiu no chão,

Caiu da mão,

Vai ser jornal,

Vai ser manchete.



Crime sujo,

Crime sujeira,

Revolta de cão

Em alma passageira.



Escuro havia de ser.

Em véu havia de ser.

Em vaia havia de ser.

Pra todo mundo ver.



Calafrio de novo,

Longe de todo lobo,

Faminto, sedento.

Sem luz havia de ser.



Mais agonia.

Vergonha vil.

Outra alma fria

Vinha visitar.



Feito assim,

Púrpura face.

Em bela gravata descansou.
MV

May 29, 2013 at 1:12am
2 notes
Reblogged from revoltadarockeira
“Tá rindo de quê? Qual é a graça? (…) Charuto de Rasta, não faz fumaça.”
E com essa música na cabeça encarei a estrada até Franca. Virada Cultural. Vanguart, Curumin, Titãs e, o show mais aguarado por mim, Criolo. 
 Violão na bagagem, e uma nova proposta: assistir aos shows livre de tecnologia. Sem câmera, sem celular. Apenas eu, a música e a multidão. Parecia difícil pra mim, tão habituado a fotografar e filmar os shows a que “assisto”. Assim mesmo, “assisto”. Afinal, soa melhor visualizar o palco no melhor HD existente, ao contrário de um visor de câmera digital: nossos olhos.
 A estrada aparentava estar ciente das minhas intenções com essa viagem. Me presenteou com um belíssimo horizonte, que se transformou em muita escrita, e uma lua tão incrível que rendeu até uma parada além do acostamento para melhor observar. Pressa? Nenhuma.
 Ao adentrar a cidade já notei uma beleza muito singular. Quarteirões inteiramente formados por calçadas e comércio, e muitas praças. Muitas mesmo. Praças amplas, muito arborizadas, cada uma com sua estátua, sua fonte, seu obelisco. A cidade parecia ideal pra um fim de semana totalmente longe da correria e das formalidades do cotidiano. Após um “reconhecimento rápido” do hotel saí para o primeiro dia de Virada Cultural. Os shows aconteceriam no Parque de Exposições da cidade.
 Após alguns atrasos com os táxis da cidade (as formalidades não pareciam tão longe assim), chegamos ao Parque. Mais um “reconhecimento rápido” e o caminho direto para o palco. Um artista local tocava e embalava o público, pequeno no momento.
 Após a desmontagem do palco do primeiro artista, um quarteto toma o lugar, todos sentados, um cavaquinho, um violão, um pandeiro e um sax. O grupo “Roda de Choro” fez uma apresentação impecável e embalou o público que aumentava aos poucos. Nesse momento eu ainda checava meus bolsos de maneira involuntária. Só pra me lembrar que havia deixado celular e câmera no hotel. Sem tecnologia.
 Mais um passeio pelo parque e algumas checadas de bolso depois, retorno ao palco para um show que me interessava muito: Vanguart. Show muito bem executado, com a presença de uma ótima violinista que embalou ainda mais o público, já grande e amontoado próximo ao palco. Destaque para “Nessa Cidade”, “Semáforo” e à história, contada em espanhol, pelo vocalista Hélio Flanders, que deu sequência à “Mi Vida Eres Tu”. Notei que já não mexia nos bolsos à procura do meu celular. Não estava tão curioso quanto ao horário. Apenas esperaria o próximo show.
 E passado um tempo,  debaixo de um frio lancinante, a banda Titãs sobe ao palco. O álbum Cabeça Dinossauro é tocado na íntegra. Músicas rápidas, poucos acordes e muita mensagem anticonformismo pra passar. Uma situação engraçada ocorre alguns metros à minha direita: moço tenta pular a grade proteção. Segurança adverte. Moço muito teimoso tenta de novo. Segurança dá choque no moço teimoso. Moço teimoso canta do início ao fim do show encarando o segurança. Moço grita - “Capitalista!”, olhando para o segurança, em todo intervalo entre músicas. Confesso que me distraí do show para assistir a batalha de egos entre o segurança e o jovem “revolucionário”. 
 Alguns silenciosos, outros sustentados pela “força” de palavras gritadas em fúria, cada um protesta da maneira que lhe melhor convém. Afinal, não dizem por aí que o importante é protestar? Mas não entremos nesse assunto. Não nesse texto.
 Muita música tocada, muita batalha assistida, acaba o último show e o primeiro dia de Virada Cultural. Mais um longo tempo de espera no frio, devido a uma  aparente super-demanda por táxis da cidade, claramente por razão do evento. Aproveitei esse tempo para pensar sobre a ausência do celular durante os shows. Sem mensagens, ligações, qualquer contato com o mundo além dos muros do Parque de Exposições que recebia os shows. Me concentrei totalmente nos momentos. No presente. Seria esse o motivo pelo qual deixar de checar meu bolso após alguma tempo?
Outra ausência bem-vinda foi a de uma câmera. Muito mais prazeroso assistir o show através dos meus olhos. Sem filtro, sem ajuste de brilho, sem edição. Todos os momentos que eu conseguia captar, improvisos, falhas de som, nuances da performance de cada artista. Cada ritmo, melodia, harmonia e toda a sinergia musical. Várias pessoas conectadas por uma única força: a música.MV

“Tá rindo de quê? Qual é a graça? (…) Charuto de Rasta, não faz fumaça.”

E com essa música na cabeça encarei a estrada até Franca. Virada Cultural. Vanguart, Curumin, Titãs e, o show mais aguarado por mim, Criolo. 

 Violão na bagagem, e uma nova proposta: assistir aos shows livre de tecnologia. Sem câmera, sem celular. Apenas eu, a música e a multidão. Parecia difícil pra mim, tão habituado a fotografar e filmar os shows a que “assisto”. Assim mesmo, “assisto”. Afinal, soa melhor visualizar o palco no melhor HD existente, ao contrário de um visor de câmera digital: nossos olhos.

 A estrada aparentava estar ciente das minhas intenções com essa viagem. Me presenteou com um belíssimo horizonte, que se transformou em muita escrita, e uma lua tão incrível que rendeu até uma parada além do acostamento para melhor observar. Pressa? Nenhuma.

 Ao adentrar a cidade já notei uma beleza muito singular. Quarteirões inteiramente formados por calçadas e comércio, e muitas praças. Muitas mesmo. Praças amplas, muito arborizadas, cada uma com sua estátua, sua fonte, seu obelisco. A cidade parecia ideal pra um fim de semana totalmente longe da correria e das formalidades do cotidiano. Após um “reconhecimento rápido” do hotel saí para o primeiro dia de Virada Cultural. Os shows aconteceriam no Parque de Exposições da cidade.

 Após alguns atrasos com os táxis da cidade (as formalidades não pareciam tão longe assim), chegamos ao Parque. Mais um “reconhecimento rápido” e o caminho direto para o palco. Um artista local tocava e embalava o público, pequeno no momento.

 Após a desmontagem do palco do primeiro artista, um quarteto toma o lugar, todos sentados, um cavaquinho, um violão, um pandeiro e um sax. O grupo “Roda de Choro” fez uma apresentação impecável e embalou o público que aumentava aos poucos. Nesse momento eu ainda checava meus bolsos de maneira involuntária. Só pra me lembrar que havia deixado celular e câmera no hotel. Sem tecnologia.

 Mais um passeio pelo parque e algumas checadas de bolso depois, retorno ao palco para um show que me interessava muito: Vanguart. Show muito bem executado, com a presença de uma ótima violinista que embalou ainda mais o público, já grande e amontoado próximo ao palco. Destaque para “Nessa Cidade”, “Semáforo” e à história, contada em espanhol, pelo vocalista Hélio Flanders, que deu sequência à “Mi Vida Eres Tu”. Notei que já não mexia nos bolsos à procura do meu celular. Não estava tão curioso quanto ao horário. Apenas esperaria o próximo show.

 E passado um tempo,  debaixo de um frio lancinante, a banda Titãs sobe ao palco. O álbum Cabeça Dinossauro é tocado na íntegra. Músicas rápidas, poucos acordes e muita mensagem anticonformismo pra passar. Uma situação engraçada ocorre alguns metros à minha direita: moço tenta pular a grade proteção. Segurança adverte. Moço muito teimoso tenta de novo. Segurança dá choque no moço teimoso. Moço teimoso canta do início ao fim do show encarando o segurança. Moço grita - “Capitalista!”, olhando para o segurança, em todo intervalo entre músicas. Confesso que me distraí do show para assistir a batalha de egos entre o segurança e o jovem “revolucionário”. 

 Alguns silenciosos, outros sustentados pela “força” de palavras gritadas em fúria, cada um protesta da maneira que lhe melhor convém. Afinal, não dizem por aí que o importante é protestar? Mas não entremos nesse assunto. Não nesse texto.

 Muita música tocada, muita batalha assistida, acaba o último show e o primeiro dia de Virada Cultural. Mais um longo tempo de espera no frio, devido a uma  aparente super-demanda por táxis da cidade, claramente por razão do evento. Aproveitei esse tempo para pensar sobre a ausência do celular durante os shows. Sem mensagens, ligações, qualquer contato com o mundo além dos muros do Parque de Exposições que recebia os shows. Me concentrei totalmente nos momentos. No presente. Seria esse o motivo pelo qual deixar de checar meu bolso após alguma tempo?

Outra ausência bem-vinda foi a de uma câmera. Muito mais prazeroso assistir o show através dos meus olhos. Sem filtro, sem ajuste de brilho, sem edição. Todos os momentos que eu conseguia captar, improvisos, falhas de som, nuances da performance de cada artista. Cada ritmo, melodia, harmonia e toda a sinergia musical. Várias pessoas conectadas por uma única força: a música.
MV

(via revoltadarockeira)

May 23, 2013 at 9:35pm
4 notes
Reblogged from sem-bordejar
OUTRO TANTO
Frágil assim.Um singelo detalhe.Papel amassadoE um cigarro molhado. 
Ela dança no ciclo.Eternos nascimentos.Eternas partidas.Sofrida?Mas é bela, te digo. 
Seria, se não fosse mais um.Outra telha, outro tijolo.Um último azulejo.Outra peça.
Peça aos céus,Mas ela não volta.“A vida é só um detalhe”.MV

OUTRO TANTO



Frágil assim.

Um singelo detalhe.
Papel amassado
E um cigarro molhado. 



Ela dança no ciclo.

Eternos nascimentos.
Eternas partidas.
Sofrida?
Mas é bela, te digo.
 



Seria, se não fosse mais um.
Outra telha, outro tijolo.
Um último azulejo.
Outra peça.



Peça aos céus,
Mas ela não volta.
“A vida é só um detalhe”.
MV

4:11pm
4 notes
Reblogged from animalover97
DOIS POTES
Tirando daqui e botando ali.
Tirando de um e botando em outro.
Tirando dali e botando em outro lugar.
Um por vez.
Uma por vez.
Tirava todos eles.
Aquele estava vazio.
Vazio lhe veio, vazio estaria
Na hora da partida.
E jogou ao mar.
Assim sem hesitar.
E assistiu o mar levar.
Afundar.MV

DOIS POTES



Tirando daqui e botando ali.

Tirando de um e botando em outro.

Tirando dali e botando em outro lugar.

Um por vez.

Uma por vez.

Tirava todos eles.



Aquele estava vazio.

Vazio lhe veio, vazio estaria

Na hora da partida.



E jogou ao mar.

Assim sem hesitar.

E assistiu o mar levar.

Afundar.
MV

May 22, 2013 at 9:11pm
13 notes
Reblogged from guyfarris
EPIDEMIA
Tanta gente parada no tempo,
Que o tempo parou pra gente.
O povo segue cantando,
Mas esquece a melodia.
E até onde vamos assim?
“Assim como?” - replicam.
Vos digo, então, o como assim:
Sem verso, sem rima,
Sem som, sem cor.
Assim…
Sem sonho, sem ideologia,
Sem tom, sem dor.
Maré de pessoas nuas em belas roupas.
Reinventam a beleza.
Enterram a alma.
E fingem estar tudo bem.
Pois bem…
Enquanto esse asfalto cifrado
Sufocar os jardins.
Enquanto esquecerem o chão,
Para em cadeiras sentarem.
E o céu se perder nas telas de televisão.
Enquanto o trânsito abafar a música.
Esconder o choro.
Sobrepor os gritos.
Fingimos tanto.
E esquecemos o bem.MV

EPIDEMIA



Tanta gente parada no tempo,

Que o tempo parou pra gente.



O povo segue cantando,

Mas esquece a melodia.

E até onde vamos assim?

“Assim como?” - replicam.

Vos digo, então, o como assim:

Sem verso, sem rima,

Sem som, sem cor.

Assim…



Sem sonho, sem ideologia,

Sem tom, sem dor.



Maré de pessoas nuas em belas roupas.

Reinventam a beleza.

Enterram a alma.

E fingem estar tudo bem.



Pois bem…

Enquanto esse asfalto cifrado

Sufocar os jardins.



Enquanto esquecerem o chão,

Para em cadeiras sentarem.

E o céu se perder nas telas de televisão.



Enquanto o trânsito abafar a música.

Esconder o choro.

Sobrepor os gritos.



Fingimos tanto.

E esquecemos o bem.
MV

May 19, 2013 at 9:29pm
132,255 notes
Reblogged from metrodorus
Imenso esse azul que me consome
E campos até onde se pode ver.
Pacatas cenas urbanas.
Vento de amanhecer.
Não que seja um belo litoral.
Um bosque virgem, ou coisa assim,
Mas tenho tanto azul à frente.
E tanto você pra mim.
E entra lua onde era sol.
Entra silêncio.
Desconhecido.
Entre agora pra viver.
O que não havia visto antes.
E vem.MV

Imenso esse azul que me consome

E campos até onde se pode ver.

Pacatas cenas urbanas.

Vento de amanhecer.



Não que seja um belo litoral.

Um bosque virgem, ou coisa assim,

Mas tenho tanto azul à frente.

E tanto você pra mim.



E entra lua onde era sol.

Entra silêncio.

Desconhecido.



Entre agora pra viver.

O que não havia visto antes.

E vem.
MV

(via orionfalls)

May 18, 2013 at 3:13pm
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PRA VER SOL
Só lua e terra.
Mais um debaixo da maré dos comuns.
Esperando outras páginas,
Sem figuras, sem gritos.
Só todos aqueles sorrisos.
“E eu te conto exatamente o que sou.”
Alguém que quer ouvir mais um som seu.
Alguém que precisa ouvir…
E se jogar de novo.
Pelos campos.
Por mais um olhar.
E enterrar-me por fim.
Mais lua e mais terra.
Mas você aqui.MV

PRA VER SOL



Só lua e terra.

Mais um debaixo da maré dos comuns.

Esperando outras páginas,

Sem figuras, sem gritos.



Só todos aqueles sorrisos.

“E eu te conto exatamente o que sou.”

Alguém que quer ouvir mais um som seu.



Alguém que precisa ouvir…



E se jogar de novo.

Pelos campos.

Por mais um olhar.



E enterrar-me por fim.

Mais lua e mais terra.

Mas você aqui.
MV